27 outubro 2006

O que é a Finança Ética?

A Finança Ética emerge como um novo modelo de desenvolvimento baseado na ideia de que o dinheiro pode ser investido de forma socialmente consciente e responsável, isto é, promovendo o desenvolvimento sustentável da economia local, regional, nacional e global.

A Finança Ética aparece pois como uma alternativa à ideia tradicional de finança que tem como ponto de referência a pessoa humana e não o capital, a ideia e não o património, a remuneração justa do investimento e não a especulação.

Os produtos financeiros éticos – fundos de garantia, empréstimos, poupanças e investimentos – destacam-se dos tradicionais, porque oferecem aos investidores uma oportunidade real de contribuírem activamente para o bem-estar humano.

Ao criar instrumentos financeiros alternativos – vocacionados para o financiamento de projectos com impacto social, cultural e respeitadores do ambiente, economicamente eficientes e redutores de desigualdades sociais – a Finança Ética pode ter um impacto positivo na vida das pessoas, sobretudo daquelas que muitas vezes são excluídas do acesso ao crédito na banca tradicional.

A Finança Ética é, em particular, um instrumento crucial para a promoção do desenvolvimento sustentável nos países do Sul. Neste contexto, onde o acesso ao crédito é normalmente difícil, não só pela escassez mas também pela impossibilidade de apresentação de garantias bancárias exigidas pelas instituições financeiras tradicionais, as actividades económicas locais acabam por ser afectadas negativamente. Como consequência, muitos daqueles que poderiam ser potenciais empreendedores nos países do Sul ao serem excluídos do sistema produtivo, acabam por se revelarem impotentes para quebrar o ciclo de pobreza em que vivem. A finança ética pode afirmar-se pois como um mecanismo de fortalecimento (“empowerment”) das comunidades mais desfavorecidas, na medida em que o processo económico, segundo Robert Gilpin
[1], ao tender para “a redistribuição de poder e riqueza, transforma a relação de poder entre os grupos. Isto, por sua vez, leva à modificação do sistema político, fazendo assim nascer uma nova estrutura das relações económicas. Deste modo, a dinâmica das relações internacionais no mundo moderno é largamente função da recíproca interacção entre economia e politica”.

[1] Robert Gilpin, U.S. Power and the Multinational Corporation, N.Y., 1975, p.21.

1 Comments:

At 1:26 da tarde, Anonymous pleitao said...

Sem dúvida muito interessante e muito importante!

No entanto, penso que a finança ética é também ela um "um instrumento crucial para a promoção do desenvolvimento sustentável" nos países do Norte!

Vários países europeus mostram-nos bons exemplos, como sejam os bancos "Coop", entre outros, que possuem um codigo de conduta ética bastante estrito, e nesse sentido avaliam os impactos sociais e ambientais dos seus potenciais parceiros de investimento.

Para quando um banco responsável para Portugal??

 

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